Este artigo busca ajudar profissionais da área de saúde a compreender e a tratar complicações associadas ao uso da injeção de toxina botulínica (TXB) no músculo masseter.
Por meio de uma revisão da literatura e relato de dois casos clínicos discutem-se os pontos anatômicos do músculo masseter susceptíveis a receber TXB, bem como a técnica para alcançar resultados satisfatórios na clínica diária. Dentre as complicações, um raro efeito, o ressalto do músculo masseter com abordagem sobre sua prevenção e manejo.
Palavras-chave – Hipertrofia de masseter; Injeção de toxina botulínica; Abaulamento/ressalto paradoxal; Complicações.
| Introdução |
O terço inferior da face é extremamente rico em detalhes anatômicos e faz parte de um dos sistemas mais complexos do corpo humano: o sistema estomatognático.
Suas dimensões e contornos contribuem para um aspecto estético agradável, ou não, aos olhos do interlocutor.
A largura do terço inferior da face tem como principais determinantes o tamanho e a forma do osso mandibular, a espessura do músculo masseter e o volume de tecido subjacente à pele.
Culturalmente, considera-se ideal uma face masculina com terço inferior mais largo e ângulo mandibular mais reto, ou seja, uma face mais quadrada, enquanto a face feminina deveria apresentar um aspecto mais oval ou em coração, com a largura do terço médio da face maior do que a do terço inferior.
A hipertrofia benigna do músculo masseter é um achado clínico de etiologia incerta. É caracterizado por um suave inchaço, perto do ângulo da mandíbula, que pode ser associado à dor facial.
A hipertrofia pode ser proeminente o suficiente para ser considerada cosmeticamente desfigurante.
A maior incidência para essa condição é na segunda e terceira décadas de vida, sem predileção por sexo. Uma variedade congênita também existe, mas a hipertrofia do masseter adquirida é mais comum.
Ocorrência unilateral pode ser observada quando os pacientes mastigam ou apertam principalmente de um lado.
A função muscular também pode ser prejudicada, causando condições como trismo, protrusão e bruxismo.
Numerosos fatores, como má-oclusão, bruxismo, apertamento ou desordens da articulação temporomandibular, podem estar relacionados.
O diagnóstico preciso é mais difícil em casos unilaterais. Um masseter hipertrofiado alterará as linhas faciais, causará desconforto e impactos cosméticos negativos em muitos pacientes. A hipertrofia do masseter exacerbada exige diagnóstico diferencial com tumor parotídeo, lipoma, tumores musculares benignos ou malignos e tumores vasculares.
Vários procedimentos cirúrgicos podem ser utilizados para corrigir a proporção desse importante terço facial, dentre eles ressecção do ângulo mandibular e/ou dos músculos masseteres.
Entretanto, existem riscos inerentes às cirurgias, dentre eles: assimetria; fratura condilar; lesão do nervo alveolar inferior; hematoma; lesão do nervo facial; trismo pós-operatório e infecção. Outros pontos a serem considerados pelos pacientes são: a necessidade de repouso de duas a três semanas e que as mudanças fisionômicas são permanentes e leva tempo para que se alcance um resultado final.
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